2 de julho de 2010

Fiat lança o melhor dos Punto

Compacto premium rival de VW Polo ganhou nova vida com os propulsores E.torQ 1.6 16V e 1.8 16V




Uma boa suspensão, posição de dirigir agradável, alavanca de câmbio bem posicionada, nível de acabamento e opcionais diferenciados sempre ajudaram o Punto a se destacar entre os concorrentes. Mas você já chegou a enfrentar um trecho de serra conduzindo um Punto 1.4 com quatro pessoas mais bagagem? Pois é, se você já realizou essa prova da vida real constatou que desempenho de sobra estava longe de figurar entre os atributos desse carro.

A partir de agora, quem era fã do Punto, mas ainda ficava reticente na hora de levar um para casa pela fraca performance do 1.4 e também não queria optar pelo sempre sedento 1.8 8V de origem GM, poderá (e deve, se você me permite o conselho) ir às concessionárias da marca a partir da próxima semana fazer um test-drive na nova versão Essence, que engloba os inéditos propulsores E.torQ 1.6 16V e 1.8 16V feitos pela FPT Powertrain Technologies em Campo Largo (PR).
Um pouco de história

Quem gosta de acompanhar o mercado automotivo poderá se lembrar que, além de existir por lá a linha de montagem onde a Chrysler produziu a picape média Dakota na década de 1990, Campo Largo também abriga em seu solo outra iniciativa da companhia norte-americana, a planta de motores da Tritec, joint-venture já desfeita que marcou uma parceria entre Chrysler e BMW para o desenvolvimento e produção de blocos compactos. Foi de lá que saíram as unidades 1.6 16V usadas na primeira geração do MINI Cooper e também aplicadas em carros compactos da Chrysler, como o antigo sedã Neon.

“Quando compramos essa unidade, também adquirimos os direitos sobre o motor que a Tritec produzia aqui. Nossa equipe de engenharia realizou um profundo trabalho de aproximadamente dois anos para aprimorá-lo ainda mais e torná-lo flex. Com isso, o E.torQ foi 70% renovado em relação ao bloco original”, nos explicou Marcelo Reis, diretor industrial da FPT, empresa que faz parte do Grupo Fiat e atua na área de motores e transmissão. Além das melhorias, a FPT também desenvolveu a variante 1.8 16V, até então inexistente no projeto original da Tritec.


Moderna, a instalação adquirida pela FPT recebeu investimento de R$ 500 milhões para adequá-la aos padrões internacionais da empresa, além de otimizar o sistema de produção das linhas de montagem dos propulsores. Até o fim deste ano, a empresa espera fabricar 800 motores ao dia e, para 2014, atingir um volume de 400.000 blocos ao ano. Uma característica importante com relação à unidade comandada por Reis é que a fábrica conta com 189 pontos de verificação que acompanham as diversas etapas de montagem dos motores. Caso algum deles detecte alguma irregularidade, imediatamente o responsável pelo setor deve analisar o erro e tomar a medida adequada, garantindo a qualidade das unidades que deixarão Campo Largo.

Punto de coração novo

Instalado no Punto, o E.torQ 1.6 16V entrega 117 cv a 5.500 rpm e 16,8 kgfm a 4.500 rpm com etanol. Quando consome gasolina, os números caem para 115 cv e 16,2 kgfm nas mesmas faixas de rotação. O 1.8 16V, por sua vez, disponibiliza 132 cv a 5.250 rpm e 18,9 kgfm a 4.500 rpm ou 130 cv e 18,4 kgfm com o derivado de petróleo. Segundo a FPT, um trabalho enfaticamente destacado por seus executivos é que 81% do torque máximo do 1.6 16V (13,55 kgfm) está disponível já em 1.500 rpm e, no caso do 1.8 16V, 93% da força máxima (17,5 kgfm) pode ser usada quando as 2.500 rpm são atingidas. Obviamente isso ajuda, mas ainda não é suficiente para anular o comportamento típico de motores compactos com quatro válvulas por cilindros: a falta de disposição em baixas rotações, situação comum no trânsito urbano. Portanto, é bom ter isso em mente.

Mesmo assim, tanto o Punto 1.6 16V quanto o 1.8 16V ficaram, agora, muito agradáveis de dirigir. O primeiro caiu como uma luva no hatch e deverá responder por 40% do mix de vendas na versão Essence (R$ 44.190), enquanto outros 40% ficarão com a Attractive 1.4 (R$ 39.290), nos informou Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat. O restante deverá ser dividido entre 4% a 5% entre as configurações Essence 1.8 16V (R$ 46.250), Essence 1.8 16V Dualogic (R$ 48.780), Sporting (R$ 51.200), Sporting Dualogic (R$ 53.730) e T-Jet (R$ 64.670). Já o câmbio manual automatizado Dualogic achou sua alma gêmea no 1.8 16V. Trancos ainda existem, mas os quase 19 kgfm de torque ajudam a amenizá-los principalmente se quem está ao volante dirige “na casquinha”, sem pressionar tanto o acelerador.

Se na situação do trecho de serra citado no primeiro parágrafo o Punto 1.4 carregado custava a acelerar, agora o Essence 1.6 16V não faz feio. Uma boa notícia, apurada com exclusividade pela Carro Online, é que a Fiat realizou pequenas mudanças na suspensão do Punto. Além de trocar as rodas de liga leve, quando equipado, de aro 15” para 16”, a engenharia da marca trocou as molas do conjunto dianteiro por peças de maior rigidez e promoveu uma recalibração dos amortecedores traseiros. O resultado final agradou, principalmente na absorção de irregularidades do piso. Estável ele já era, e agora com as mudanças o Punto ganhou em conforto. Segundo testes da Fiat, o Punto Attractive 1.4 acelera de 0 a 100 km/h em 13s6 e atinge um consumo médio de 10,7 km/l com etanol, enquanto o 1.6 16V e o 1.8 16V cumprem a medição em 10s5 e 9s8, respectivamente, e têm médias de consumo de 9,4 km/l e 9,2 km/l também com o combustível de origem vegetal.

Mercado
Esteticamente o Punto continua igual, exceto pelas rodas de liga leve com novo design e tamanho e a antena do rádio, que passa a ser a mesma do T-Jet, agora comum a toda linha. Por dentro, o painel ganhou iluminação em led na tonalidade branca. De série, a opção Attractive conta com direção hidráulica, travas e vidros elétricos e computador de bordo entre os principais itens de série. Para equipá-lo com ar-condicionado, para-brisa degradê e volante regulável a Fiat oferecerá o kit Comfort por R$ 1.219. Já as versões Essence contam os todos os itens mencionados mais farol de neblina e computador de bordo, sendo que a Essence 1.8 16V agrega ainda apóia-braço para o motorista, retrovisores externos elétricos e chave canivete com telecomando, enquanto a Essence 1.8 16V Dualogic, além da transmissão, vem de fábrica com piloto automático.

A Sporting, de apelo esportivo, conta com a mesma lista da Essence 1.8 16V mais airbag duplo, freios ABS, faróis com máscara negra, cintos de segurança vermelhos, roda de liga leve aro 16”, ponteira esportiva, MP3 player integrado ao painel e volante revestido em couro com comandos do rádio. Com uma média de 2.800 unidades do Punto vendidas por mês em 2010, a Fiat espera aumentar esse número em torno de 10%, mas “tudo dependerá do mercado”, nas palavras de Lélio Ramos. Com esse crescimento, a fabricante espera comercializar por volta de 36.000 unidades do hatch ao ano.

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